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POR AMOR AOS ORIXÁS - ANO III

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CULTO GELEDÊ


Segundo os mitos da tradição afro-descendente, já que o mito é o
discurso em que se fundamentam todas as justificativas da ordem
e da contra-ordem social negra, a luta pela supremacia entre os
sexos é constante, simbolizada na ìgbá-dù (cabaça da criação),
já que o òrì s à Y e m o ja Odùa, Princípio Feminino de onde
tudo se cria - representação coletiva das Ìyámí ou mães
ancestrais, é a metade inferior da cabaça e Obatálá ou Òòsààlà,
princípio masculino, a metade superior.

A relação Odùa/Obatalá,

entendida simbolicamente, não representa uma simples relação de
acasalamento do Princípio Feminino com o masculino.

Há um princípio de completude do outro, de que a vida se
constrói de mãos dadas e de que cada um de nós à medida em que
estabelece esta relação, estabelece um elo mais completo com as
coisas que estão à volta.
Significa todo um processo de equilíbrio e de harmonia.

Para se entender bem tal relação, se faz necessário situar as mulheres
do ritual G È L È D È, que representam o culto às ÌYÁMÌ.

As grandes mães ancestrais, encabeçadas por: Nàná, Yemoja Odùa,
Òsun Ijimu, Òsun Ìyánlá, Yewa e Oya.
ODÙA simboliza a grande representante do princípio feminino, sendo o elemento responsável por todo o poder criador, do poder das mulheres,
liderando o movimento das ÌYÁMÌ, grandes mães ancestrais, que
tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio dos
princípios da formação do universo.

A sociedade G È L È D È S,
que já existiu no Brasil,
É um ritual de mulheres que vestem panos coloridos - diferentes panos
mostrando diferentes procedências.
São as diferentes raízes que as pessoas podem ter na maternidade.

A máscara È F É -G È L È D
È que cobre a cabeça da mulher vai representar o mistério, o
maravilhoso, na cultura negra.
O uso da máscara significa o símbolo de outro espaço, um espaço vivo, um espaço invisível que não se conhece, mas sente-se!

No Brasil
Esta sociedade existiu, sua ultima sacerdotisa suprema
foi Omóník é Ìyálóde-Erelú que tinha o nome católico Maria
Julia Figueiredo, uma das Ìyálà se do Il è Ìyá-Nàsó, com sua
morte cessaram-se as festividades, que eram realizadas no bairro
da Boa Viagem.
O propósito da sociedade G È L È D È é propiciar
os poderes míticos das mulheres, cuja a boa vontade deve ser
cultivada porque é essencial a continuidade da vida para esta
sociedade.

Sem o Poder Feminino, sem o princípio de criação não brotam
plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem
continuidade. Assim, o princípio feminino é o princípio da
criação e preservação do mundo: sem a mulher não existe vida,
sendo, segundo os mitos, ser reverenciada e respeitada pelos
orixás e pelos homens.
As G È L È D È e suas máscaras se tornam uma metáfora, sendo uma
linguagem para a Mãe Natureza.

O G È L È
é um símbolo das G È LÈ D È porque personifica o útero, pois ele carrega as crianças e as protege.

Através das Ìyámì (mães ancestrais) a arte das
máscaras é usada para aglutinar as pessoas que se relacionam
como filhos de uma mesma mãe, fazendo com que o espírito se
manifeste através desta máscara, seguindo e alimentando o
espírito humano.
Representam o não uso da violência para
resolver questões. Nas culturas negras a mulher está presente em
todos os lugares.

As máscaras tem grande importância na vida religiosa, social e
política da comunidade, mostrando as diferentes categorias de
mulher:

- mulher secreta - ligada ao divino, serve como passagem e
receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar frutos.

-mulher símbolo político - não usa violência para resolver as
questões, aglutinando as pessoas, vivendo o cotidiano.

- mulher sagrada - símbolo de todos os tempos, pois está virada
para o futuro, sempre vulnerável e frágil, mas é aquela que abre
o céu (Ò run) e deixa lugar para a mudança, o futuro, e para a
transformação.

A sexualidade da mulher negra faz parte da sua essência de
Princípio Feminino, sendo muitos os mitos que representam a
função e o papel mulher vista como útero fecundado, cabaça que
contem e é contida, responsável pela continuidade da espécie e
pela sobrevivência da comunidade. Não se encontra pecado nesta
sexualidade.

Através das ÌYÁ as comunidades - terreiros se constituam num
verdadeiro sistema de alianças. Desde a simples condição de
irmão de santo até a mais complexa organização hierárquica, há o
estabelecimento de um parentesco comunitário, como uma recriação
das linhagens e da família extensiva africana. Os laços de
sangue são substituídos pelos de participação na comunidade, de
acordo com a antigüidade, as obrigações e a linhagem iniciática.
Todos estão unidos por laços de iniciação às divindades
cultuadas, aos demais iniciados, às autoridades, aos
antepassados e aos ancestrais da comunidade.

Através do rito se tem todo um sentido de manifestação das
mulheres do grupo: rodando, dançando, se integrando com o
cosmos, mostrando que temos consciência de que somos elementos
dinâmicos, de que o movimento da roda - já que as mulheres são
os elementos que dançam em círculo - representa o altar da
criação, da vida, já que a terra está em movimento, o universo
está em movimento e só se conseguirá estar em sintonia com o
universo através do movimento.

G È L È D È é originalmente uma forma de sociedade secreta
feminina de caráter religioso, existente nas sociedades
tradicionais yorubás, que expressam o Poder Feminino sobre a
fertilidade da terra, a procriação e o bem estar da comunidade.
O culto Gèlèdè visa apaziguar e reverenciar as Mães Ancestrais
para assegurar o equilíbrio do mundo.

As principais representações do culto também nos fala um itòn de òséyèkú, que obàtálá e odù logbojé são uma única coisa e no culto a Obàtálá,
Ò s òrongà é diretamente participante, o próprio itòn nos fala:

"tudo aquilo que o homem vier a conseguir na terra, o será
 através das mãos das mulheres"
Esta é uma tradição do culto a Obàtálá, pela relação direta de Y e m o ja Odùa. - ìtòn òsá méjì
(o mito da roupa de Éégún)- quanto ao culto È f é -G è l è d è,
os homens participam, até nas chamadas"incorporações"- dàpò
sòkan - e uma das principais diferenças, estão nas próprias
danças rituais, quando"feminina"e lenta e nobre, quando"a
masculina"é firme e agressiva, e cabe aos òsò de Òò s ààlà' esta
função.- Seja ako, baká, mundiá, tetedè, okunriu, onilu e"às
outras".

Mas quando se trata da essência da filosofia, na relação Obàtálá
(símbolo da ancestralidade masculina) e, Y e m o ja Odùa - (Ò s
òròngà - símbolo da ancestralidade feminina) como uma relação
perfeita, trazida por Òsé-òyèkú, e também pela relação de ambos
com Ikú.

O culto anual de È f é -G è l è d è, originário da cidade de
Ketu no décimo quarto século, é organizado no começo da estação
agricultural exatamente por uma importante questão dentro da
cultura Yorùbá - a Fertilidade.
Este culto se organiza da seguinte forma- sua parte diurna é exatamente
G è l è d è e sua parte noturna é Èfé (o pássaro).
Os dançarinos são homens, contudo representam homens e mulheres em suas representações.
Isto prova que o culto das G è l è d è não é vetado aos Homens.

Na dança feminina G è l è d è é poderosa e contida, entretanto,
na dança masculina é violenta e agressiva.
Os nomes citados são os próprios nomes das 9 principais G è l è d è em sua ordem de entrada na praça do mercado, pois este culto, e na verdade todos
de acordo com a direção da cabaça de Odù que vai ser desperta (òséyèkú)
deveriam ser feitos ao livre como nos ensina o antigo culto à
Olòrun. Akò, Baká, Mundiá, Tetedè, Okunriu, Onilu, Isa-orò,
Alopajanja-eledè e Woogbáwoobaarsan). Sendo assim, é exatamente
no conhecimento deste culto que podemos perceber que os homens
principalmente os"òsò"participam de toda uma enorme variedade de
fundamentos do culto na sociedade Ò s òròngà, pois se assim não
o fosse, como explicar o tabu de que as mulheres não podem olhar
Odù (ìtòn irètégbè), como entender que são os Bàbáláwo - filhos
de Òrúnmílá que entregam as cabaças com os pássaros as mulheres
iniciadas no culto à Ò s òròngà (itòn irèté méjì)

“Èfé"são as máscaras rituais que simbolizam o espírito das
ancestrais femininas e os diferentes aspectos de seu poder sobre
a terra simbolizados pelos pássaros.

As orixás femininas cultuadas nos candomblés brasileiros
representam aspectos socializados deste poder conforme a visão
de mundo negro africana segundo a qual homens e mulheres se
equivalem e controlam determinadas forças da natureza Porém a
continuidade da vida sobre a terra, atributo eminentemente
feminino nesta tradição é reverenciado de modo especial.

Por isso O barìsà o grande ancestral masculino canta:
“E
kúnl è o, e Kúnl è f’obinrin o
E obinrin l’ó bí wa, k’àwa tó d’enia
Ogbon àiyé t’obinrin ni, e kúnl è f’obinrin
E obinrin l’o bí wa o, k’àwa tó d’enia”

(Ajoelhem-se para as mulheres. A mulher nos colocou no mundo,
nós somos seres humanos
A mulher é a inteligência da terra. A mulher nos colocou no
mundo, nós somos seres humanos).


ÌYÁMÍ
Ò S ÒRÒNGÀ
O f ó (Encantamento)
Mo júbà ènyin ÌYÁMÍ Ò S ÒRÒNGÀ.
(Meus Respeitos a Vós Minha Mãe OXORONGA!)
Mo júbà è nyin Ìyámí Ò s òròngà
O T ò n ó n È j è e nun
O T òo k ó n è j è è d ò
Mo júbà è nyin Ìyámí Ò s òròngà
O T ò n ó n È j è e nun
O T òo k ó n è j è è d ò
È j è ó yè ní Kál è o
Ó yíyè, yíyè, yèyé kòkò
È j è ó yè ní Kál è o
Ó yíyè, yíyè, yèyé kòkò (Meus respeitos a vós minha mãe Oxoronga)

Vós
que seguíeis os rastros do Sangue interior.
Vós que seguíeis os rastros do sangue do coração e do sangue do
fígado.
Meus respeitos a vós minha mãe Oxoronga
Vós que seguíeis os rastros sangue interior
Vós que seguíeis os rastros do sangue do coração e do fígado
O sangue vivo que é recolhido pela terra cobre-se de fungos, e
ele sobrevive, sobrevive ó mãe muito velha o Sangue vivo que é
recolhido pela terra cobre-se de fungos e ele sobrevive, ó mãe
muito velha)

Ìyámì Ò s òròngá não é um orixá, mas sim uma energia ancestral
coletiva feminina, cultuada pelas GÈLÈDÈ; sociedade feminina
fechada da Ìyámì Eléeye (minha mãe senhora dos pássaros),
representada pela máscara dos pássaros.
A sociedade Ò s òròngá congrega as àjé–feiticeiras que têm poderes de se
transformarem em determinados pássaros è hurù, e luùlú, àtióro,
àgbìgbò e ò s òròngà, este ultimo refere-se ao próprio som que a
ave emite e da nome a Sociedade. Exercem sua força máxima nos
horários mais críticos – meio-dia e meia-noite – ocasiões em que
é preciso muita cautela para que elas não pousem na cabeça de
ninguém.

Suas cerimônias são realizadas no início da
estação do plantio relacionado à fertilidade.
Estas cerimônias tiveram início na região de Ketú, dividindo-se
em duas partes a diurna e a noturna. Segundo nos conta um ìtàn
do Odù Ogbé Ò sá, diz que quando as Ìyámìs chegaram do Ò run
pousaram em sete árvores.

Segundo um Ìtòn as 7 ávores das Ìyámìs seriam:

Orobo
- Garcinea Cola
Àjànrèré - Ficus Elegans
Iroko - Chlorophora Excelsis
Orò - Antiaris Africana
Ogun Bereké - Delonex Régia
Arere - Triplochiton Nigericum
Igi ope - Elaeis Guineensis

Porém
outra ìtàn nos da outra apresenta uma relação diferente das sete
árvores estas seria as árvores sagradas das Mães Ancestrais:

Ose -
Adansanonia Digitalia
Iroko - Chlorophora Excelsis
Ìyá - Daniellia Olivieri
Asunrin - Erythrophelum Guineense
Obobo - Não identificada
Iwó - Não identificada
Arere - Triplochiton Nigericum

Ao contrario do que se pensa aqui no Brasil existe sim a presença
masculina no culto a ìyámí.

São detentoras de poderes terríveis, consideradas as donas da
barriga(por onde circularia a energia vital do corpo) Ninguém
pode com seus E b o, dos quais, o Òjijì (sombra) é o mais
fatal.São ligadas diretamente ao ODU ÒYEKU MEJI, são
propiciadoras para a alteração do destino de uma pessoa. Seus
poderes são tamanhos que só se consegue no máximo apaziguá-las,
vence-las jamais.Relacionam-se com as ìyámìs Òs un Ijumu e Òs un
Ìyánlá a quem estão ligadas pela ancestralidade feminina, bem
como a Y e m o ja Odúa, considerada fundadora do culto G È L È È.

Deve-se lembrar portanto, que"òsò"é um título de quem trás o
Égan (símbolo de È s ù o qual foi dado através das mãos de Ò s
òròngà(it ò n ò s éòtúrá)e mesmo assim se foi iniciado no
tradicional culto de `Obàtálá /Y e m o ja Odùa e ainda tiver
profunda relação com Ikú, através de algumas se suas principais
ònifás, como Òyèkú méjì, Òbàrà méjì, Òtúrúpòn méjì e algumas
outras poucas.O sangue(è j è)não é de nenhum Òrì s à a não ser
de Ò s òròngà como vemos no Oriki (è j è ó yè ní kál è o - o
sangue fresco que recolhe na terra cobre-se de fungos).

Afirma a tradição que as Ìyámí segue o rastro do sangue do
fígado e do coração, isto se deve por os chamados À se das
oferendas são de Ò s òròngà! estes orgãos se classificam em
comportamentos Ofú (aqueles que produzem a fazem circular a
energia no corpo) estômago, bexiga, vesícula biliar, intestino
grosso e o intestino delgado, como também em comportamentos Osa
(coração, pulmões, rins, fígado e baço - pâncreas) Estes
detalhes são importantíssimos no culto à Ò s òrongà e
principalmente no culto È f é -G è l è d è ainda mais se falamos
do sacrifício de e l é d é (porco).

Relacionam-se com Òsòròngà:

Èsù
: somente com sua ajuda é que conseguimos a comunicação com as
Ìyámí, além de ser a prova viva do poder das Ìyámís.

Ògún: o senhor da cabaça de èédú (carvão) - onà iwó oòrùn
(caminho do oeste) é bem mais íntimo de Ò s òròngà, se não fosse
ele o senhor do sagrado ato da oferenda de animais, juntamente
com È s ù e Ò s òròngà.

Yemoja Odùa :(Yemòwo) Grande Ìyá, Senhora do ìgbá- e y e
(cabaça dos pássaros) é a Ìyá'nlá seu nome é modificação da
palavra Odù Logboje, a mulher primordial, também denominada E l
e yinjú Egé, a dona dos olhos delicados fazendo parte das
divindadesgeradoras representada pelo Preto, fundadora do culto
e sociedade G è l è d è.

Òsun
:Grande protetora da gestação, é a Ìyámí-Àkókó, Mãe Ancestral
suprema.

Òs un Ìjimu e Ìyánla:A duas mais velhas Òs un, são as duas
ancestrais das mulheres.

Nàná: patrona da lama e dos primórdios da criação do Àiyé, é a O
m o Àtìóro oké O fa.

Oya e Yewa: são todas Ìyá- E l é y e possuidoras da cabaça com
pássaro símbolo do poder

feminino.

Olórí ìyá-àgbà Àj é E l é y e, chefe supremo de nossas mães
ancestrais possuidoras dos pássaros.

Ògágun ati Ò gájùlo ninu awon ìyámí ò s òròngà, chefe supremo,
comandante entre todas as Ìyámí.

Òrúnmìlà:Este foi o único òrì s à que quando as ìyámí estavam
zangadas conseguiu apaziguar sua fúria e desta forma salvou o
àiyé e restabeleceu a Harmonia, entre os Homens e Mulheres.

Toda mulher é uma Aj é, porque as Ìyámí controlam o sangue
menstrual elas representamos poderes místicos das mulheres no
seu aspecto mais perigoso.São as Avós, as mães em cólera que em
sua boa vontade a própria vida na terra não teria continuidade.


Ìtàn
do Odù Ò sá Méji
* Odùa TORNA-SE Ìyámí *

Nos primórdios da criação, Olódùmarè, o Ser Supremo que vive no
Ò run, mandou vir ao àiyé (universo conhecido) três divindades:Ògún
(senhor do ferro), O barì s à (senhor da criação dos homens) (2
-Um dos òrìsà funfun, sto é, òrì s à que têm como principal
preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas) e Odùa(Y e m
o ja), a única mulher entre eles.Todos eles tinham poderes,
menos ela, que se queixou então a Olódúnmarè.

Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça (ìgbáelye) e ela se tornou então, através do poder emanado de
Olódùmarè, Iyá Won, nossa mãe para eternidade (também chamada de
Ìyámí Ò s òròngà, minha mãe Òshòròngà).

Mas Olódùmarè a preveniu de que deveria usar este grande poder
com cautela sob pena de ele mesmo repreendê-la.
"Olódùmarè
diz qual é o seu poder?

Ele diz: você será chamada para sempre de Mãe de todos.

Ele diz:você dará continuidade.

Olódùmarè lhe entrega o poder.

Ele entrega o poder de e l é iy e para ela.

Ela recebe, o pássaro de Olódùmarè.

Ela, recebe, então, o poder que utilizara com ele.

Ele diz:utilize com calma o poder que eu te dei a você.

Se você utilizar com violência, ele o retomara.

Porque aquela que recebeu o poder se chamar Odù.

O homem não poderá fazer nada sozinho na ausência da mulher"

"Lati ìgbá náà ni Olódùmarè ti fun obirin l'à se"

(Desde aquela época, Olódùmarè outorgou axé as mulheres)

Elas exerciam todas as atividades secretas:

"O mú Éégún jáde
O mú
Orò jáde

Gbogbo nkan, kò si ohun ti ki se nigba náà"

(Ela conduz Egun

Ela conduz Orò

todas as coisas, não ha nada que ela não faça nesse tempo)
Mas
ela abusou do poder do pássaro.Preocupado e humilhado, O barì s
à foi até Òrúnmìlà fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como
conquistar apaziguar e vencer Odùa, através de sacrifícios,
oferendas(e b o com ìgbín e pas ò n Haste de Àtòrì) e astúcia.


Ele lhe oferta e ela negligentemente, aceita, a carne dos ìgbín.
"Odù
náà gba omi ìgbín, o mu ú

Nigbati Odù mu omi ìgbín tán, inú Odù nr ò di e di e"

(Odù recebe a água de caracol para beber, quando odù bebeu, o
ventre de Odù se apaziguou)

O barì s à e Odùa foram viver juntos.Ele então lhe revelou seus
segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive
que cultuava Éégún. Mostrou-lhe a roupa de Éégún, o qual não
tinha corpo, rosto nem tampouco falava.Juntos eles cultuaram
Éégún.

Aproveitando um dia quando Odùa saiu de casa, ele modificou e
vestiu a roupa de Egúngún.Com um bastão na mão (opa), O barì s à
foi à cidade (o fato de Éégún carregar um bastão revela toda a
sua ira) e falou com todas as pessoas.

Quando Odùa viu Éégún andando e falando, percebeu que foi O barì
s à quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou
homenagem a Éégún e a O barì s à, conformando-se com a vitória
dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu
poderoso pássaro pousar em Éégún, e lhe outorgou o poder: tudo o
que Éégún disser acontecerá.Odùa retirou-se para sempre do culto
de Egúngún, e partiu para partir o culto G è l è d è.Só e l é iy
e, indicara seu poder e marcara a relação entre Egúngún e Ìyámí.
"Gbogbo agbára ti Egúngún si nlò agbára e l é iy e ni."
(Todo o poder que utilizara Egúngún é o poder do pássaro)


O conjunto homem-mulher dá vida a Egúngún (ancestralidade) mas
restringe seu culto aos

homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres,
castigadas por Olódúnmarè através dos abusos de Odùa.

Também por esta razão é que as mulheres mortas são cultuadas
coletivamente e somente os homens têm direito à individualidade,
através do culto de Egúngún.

Gelede surgiu provavelmente no final do século XVIII ou no início do século XIX. Pode estar associada com a mudança de uma sociedade matriarcal para uma patriarcal, mas então se poderia esperar que tenha origens mais antigas.

A cerimônia Gelede pode também ter lugar nos funerais de membros do culto ou em períodos de seca ou de outras situações graves, que se pensa ter sido trazida por feitiço maléfico.

Patrimônio Oral e Imaterial da HumanidadeDa Nigéria são dois os listados como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade: O Gelede, que também é praticado no Benin e Togo, e os Ifa Divination System, e em estudo na Nigéria um sistema de Tesouros Humanos Vivos e esforços para salvaguardar o suas línguas ameaçadas.

http://sagrado-feminino.blogspot.com/2010/01/ancestrais-femininas-na-tradicao.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gelede
fotos http://shaktilalla.blogspot.com/2010/01/culto-gelede-e-as-maes-ancestrais.html

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