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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A INICIAÇÃO NO CANDOMBLÉ



Ìgbûrû

A iniciação no Candomblé é um processo extremamente complexo e lento, além de ser um assunto que tem muitas restrições para ser discutido publicamente.
Portanto, vamos nos ater às mais básicas informações, deixando bastante claro que o abaixo descrito não é uma regra geral, uma vez que,
na maioria dos casos, cada nação (segmento da religião), cada família (grupo de pessoas ligadas através de um mesmo elo ancestral) e cada casa de Candomblé (grupo pertencente especificamente a uma casa) tem ritual específico.

Assim como há muitas variações associadas à própria palavra que identifica a Religião dos Òrisá no Brasil - Candomblé, há também diversos tipos de iniciação.

Estes tipos classificam-se, basicamente, em iniciação de adïñù e de não adïñù.
Apenas para exemplificar, há dois conhecidos exemplos de iniciados que podem ser classificados como "não adïñù":
os Îgán (homens)
e as Ëkëdi (mulheres), também chamadas Ajòyè - como lembra Reginaldo Prandi - Prof. Titular de Sociologia na USP.
Nestes dois casos, o(a) seguidor(a) é escolhido por um Òrisá manifestado durante uma cerimônia de Candomblé e, após um dado período, é confirmado(a). Os iniciados "não adïñù", ao contrário dos adïñù, não podem iniciar outras pessoas e têm suas obrigações, “tarefas” muitas bem delimitadas dentro do lado brasileiro da religião, que tem como filosofia o princípio de que não é possível dar a ninguém aquilo que não recebemos, ou seja, aquilo que não temos para dar.

O Professor Prandi nos ajuda a esclarecer um pouco mais esta questão de iniciados "não adïñù", dizendo que:
um Îgán ou uma Ëkëdi também tem a opção de ser iniciado na condição de adïñù, permitindo que no futuro este Îgán ou Ëkëdi venha a desempenhar a função de Bàbálórìsà ou Ìyálórìsà, respectivamente.
Ele ainda acrescenta que iniciação e confirmação são conceitos totalmente distintos, uma vez que a confirmação tem o objetivo de transmitir um Oyè a um iniciado.

Sem o objetivo de negar a importância daqueles que não estão classificados como adïñù, vamos dedicar este tópico à exploração da iniciação dos adïñù, uma vez que é este o único caminho que pode elevar um seguidor à condição de Ìyálórìñà ou Bàbálórìñà - o mais alto cargo dentro da hierarquia de uma casa de Candomblé.
Tudo, exatamente tudo, dentro de uma casa de Candomblé deve ser feito com a autorização ou sob o comando da Ìyálórìñà ou Bàbálórìñà que, como já mencionado, foi iniciado(a) na condição de adïñù.

Outro fator que deve ser considerado é que, nos primórdios do Candomblé, um homem não tinha o direito de ser iniciado na condição de adïñù, somente como Îgán (nesta concepção, "não adïñù").
Esta regra até hoje é seguida naquela que é considerada a matriz das casas de Candomblé - a Casa Branca do Engenho Velho em Salvador.
O tempo passou, a religião evoluiu e, por razões que fogem ao escopo deste artigo, os homens começaram a ser iniciados como adïñù e, para simplificar o texto, a partir deste ponto vamos deixar de usar o gênero das palavras, passando a utilizá-las apenas no masculino em português e/ou inglês e feminino nas poucas palavras Yorùbá que utilizaremos.
Além disto, Alexandre Lima nos explicará o significado de algumas destas palavras ao final do texto. Até lá, vamos prosseguir com o assunto iniciação que, daqui a diante, fará referências somente às informações relevantes da iniciação dos adïñù.

Diversos são os caminhos (motivos) que levam uma pessoa a ser iniciada. É praticamente impossível relacionar todos caminhos, já que eles podem ser diretamente proporcionais ao número de pessoas iniciadas até hoje, mas há uma frase que a Ìyálórìñà Kasarandé não cansa de repetir e que muito bem reúne estes vários caminhos: "Ou você chega aos Òrisá pelo amor, ou pela dor".

Em outras palavras, há pessoas que têm que ser iniciadas, outras o são simplesmente porque assim quiseram e os Òrisá concordaram, ou seja, estas últimas poderiam esperar o tempo que os Òrisá julgassem necessário para serem iniciadas - o que poderia significar uma vida inteira, mas preferiram fazê-lo simplesmente porque amavam a religião.
E se há um componente que é desejável para um seguidor ser iniciado, este ingrediente é o amor, o qual teórica e automaticamente conduz à dedicação.

O seguidor da Religião dos Òrisá -
iniciado ou não, adïñù ou não, pode e deve ser considerado como Òrisá - palavra que deve ser dita com muito orgulho diante da sociedade por aqueles que seguem o Candomblé, tal qual fazem os seguidores de outras religiões quando se classificam quanto à religião que praticam.
Após esta consideração, temos que classificar o Òrisá quanto à sua condição dentro da religião - iniciado ou não iniciado.
Até que ele seja iniciado, ele será classificado como abíyán.

O Bàbálórìñà Funjiala colabora, definindo abíyán como sendo uma classificação pré-iniciática, ou seja, para alcançar este primeiro degrau, o Òrisá precisa ter sido submetido a, pelo menos, o ritual de börí.

Definida esta classificação, então teremos os Òrisá "não iniciados" e os Òrisá que já passaram pelo böri, os abíyán.

Só para confirmar com outras palavras o que já dissemos anteriormente, o abíyán poderá ficar uma vida inteira nesta condição se assim os Òrisá desejarem.

Por outro lado, se os Òrisá decidirem pela iniciação, durante um Candomblé (neste contexto, a cerimônia pública) este abíyán poderá "bolar no santo" - expressão que o Bàbálórìñà Funjiala define como sendo a primeira manifestação física do Òrisá, a qual tomamos a liberdade de acrescentar à nossa definição inicial de "manifestação física que diz que o abÒrisá deve ser iniciado o mais breve possível".

Após a definitiva decisão sobre a iniciação, a Ìyálórìñà determinará através do jogo quando o processo terá início.
Definida a data, que muito tem a ver com o Òrisá do futuro iniciado, com as determinações do Òrisá dono da casa e outras tantas implicações, o abíyàn apresenta-se, pela última vez nesta condição em toda sua existência, diante da Ìyálórìñà.
A partir deste momento, ele deu início a um processo que durará SETE anos na esmagadora maioria das nações, famílias e casas.

Ele vai ficar hospedado na casa de Candomblé por aproximadamente três semanas, tempo este dependente da casa, família e do próprio Òrisá do iniciado.
Inicialmente, por alguns dias (ou até horas) ele simplesmente descansará.
Após este período, será dado inicio a um processo de limpeza física e espiritual, através de banhos rituais (àgbo) e sacrifícios (ëbö), que poderá demorar mais alguns dias.

Feita a "limpeza", ele será colocado no hunkö - quarto sagrado, de onde só sairá para as cerimônias em outros aposentos do ilé àñë ou locais externos sagrados (p.ex.: mar, cachoeira, mata, rio, etc.).
A partir deste momento, o abÒrisá abandona a condição de abíyàn e passa a ser classificado como ìyàwó - noviça, literalmente, "a mais nova esposa".

Em seguida ele será submetido ao ritual do börí, o qual alimentará um dos mais importantes Òrisá - Orí.
Através da "alimentação" deste Òrisá, o ritual tem o objetivo de pedir a sua autorização para "trabalhar" com a cabeça da ìyàwó, uma vez que não é possível realizar qualquer cerimônia pessoal relacionada aos Òrisá sem antes pedir a permissão de Orí (veja mais informações sobre Orí na opção Òrisá). Uma vez que Orí foi devidamente reverenciado, é hora de iniciar o tratamento do Òrisá ancestral da ìyàwó.

Segundo a tradição Kétu, até 10 abÒrisá podem ser iniciados em conjunto, o que nunca significa que o serão simultaneamente, pois a iniciação está intimamente vinculada ao Òrisá de cada pessoa e somente a Ìyálórìñà poderá realizar a cerimônia principal.
Com base nestes fatos, entendemos que somente um abÒrisá poderá ser iniciado dentro de um mesmo espaço de tempo.

Por outro lado, as cerimônias preliminares e posteriores à iniciação poderão ser feitas de forma simultânea e, por isto, o período é normalmente aproveitado para iniciar mais de uma pessoa.

A este grupo de noviços damos o nome de barco, sendo que cada membro, por ordem seqüencial (na maioria dos casos, de acordo com a ordem ritual dos Òrisá ancestrais), recebe um dos seguintes nomes:

1. Dofono

2. Dofonitin

3. Fomo

4. Fomotin

5. Gamo
6. Gamotin

7. Vimo

8. Vimotin

9. Domo

10. Domotin


A iniciação é algo muito particular de cada Òrisá, por isto cada ìyàwó tem seus próprios rituais de iniciação.
Porém, o básico é feito em todos.
Este "básico" consiste
na raspagem da cabeça
e na abertura de incisões (através de métodos compatíveis com cada Òrisá) em diversas partes do corpo da ìyàwó.
Estas incisões (gbýrý) têm o principal objetivo de inserir o àñë - um preparado que determinará a ancestralidade da ìyàwó.
Entre estas incisões está a principal de todas:
o Oñù, que é feita ao alto da cabeça e que o iniciado portará enquanto estiver no àiyé (espaço ocupado fisicamente pelos seres viventes).

Na tentativa de tornar um pouco mais clara a importância do Oñù, citamos:

Dra. Juana Elbein dos Santos e seu livro. Os Nàgó e a Morte (ISBN 85-326-0923-6), onde diz: "... a Ìyálàlàñë transfere e planta o àñë na noviça por intermédio de um ciclo ritual que culmina quando, no centro da cabeça da ìyàwó, ela coloca e consagra o Oñù...". Mais adiante ela escreve "Falecida a olórìñà, qualquer que seja sua hierarquia, deverá proceder-se a retirar seu Oñù por meio do qual, precisamente, a individualização, o nascimento da adóñù foram possíveis. Um sacerdote altamente preparado manipulará sua cabeça de maneira que retire os cabelos do lugar onde o Oñù foi plantado...".
Durante esta importante fase da iniciação, tudo sempre é feito sob a tênue luz de vela (quando o Òrisá da ìyàwó não exige outro tipo primitivo de iluminação), ao som de cantigas específicas para o momento e diante de olhares das poucas pessoas autorizadas pelo Òrisá, seja ele da ìyàwó, da casa, da Ìyálórìñà e até mesmo do próprio participante.

Feito isto, será dado início aos sacrifícios animais necessários para o Òrisá da ìyàwó.
Ao contrário do que a grande maioria pensa, segundo a tradição Kétu, animais não são sacrificados sobre a ìyàwó, pois acredita-se que o calor do sofrimento causado pela morte do animal não deve nunca atingir o abÒrisá.
Há métodos específicos e pessoas especialmente determinadas para que não seja estabelecido um elo entre o sofrimento físico do animal sacrificado e a pessoa diretamente envolvida no ritual, exceto no que diz respeito a alguns poucos animais.
 Um a um, as ìyàwó são submetidas ao processo de iniciação, que pode durar horas que parecem nunca acabar, dependendo do tamanho do barco - grupo de iniciados.

Apesar de já serem chamados de ìyàwó, eles ainda terão uma dura fase pela frente.
Com o mais básico comportamento sempre atrelado aos seus Òriñà ancestrais, eles ainda terão muitos dias de convivência com a ajíbïna que, além de ensiná-los como se comportarem diante de seus mais velhos, continuará ensinando as rezas, as danças, etc.

Eles ainda serão apresentados por sete vezes àqueles da sua família que estiverem interessados em conhecê-los.

Dependendo do Òrisá, durante estas apresentações serão pintados com wàji (azul), òsún (vermelho) e ëfun (branco) demonstrando sua ascendência (Îyï) e também para que as àjý (entidades feiticeiras) não se aproveitem deles, não os persiga.

Finalizados os procedimentos internos de iniciação, é chegada a hora da cerimônia pública.
Aliás, todos grandes rituais do Candomblé culminam em cerimônias públicas, que assumem o papel de confirmadoras do ocorrido, de preferência com a participação de pessoas de outras casas e até mesmo outras famílias.
A presença de pessoas pertencentes a outras nações em uma saída de ìyàwó é considerada uma grande honra e, normalmente, terão peso imensurável na escolha da Ìyálórìñà para aquele que tirará o nome da ìyàwó.

Dependendo da casa, a cerimônia pública será precedida por novos rituais que incluem novos sacrifícios.
Há até mesmo casas “famílias”, que realizam os rituais “sacrifícios” finais poucos minutos antes da primeira apresentação pública.
Mas, hoje em dia, devido à grande especulação, ou os ìyàwó saem cobertos por um tecido branco nesta primeira apresentação, ou já o fizeram na madrugada anterior.
Queremos dizer que o ápice da iniciação - que consiste na apresentação do Oñù (objeto ritualístico altamente sagrado) em público, é atingido de uma forma mais discreta do que o era antigamente.
Na atualidade, é mais difícil ver um Oñù em cerimônias públicas.

De qualquer maneira, o final desta fase inicial será uma cerimônia pública onde os ìyàwó mostrarão por três vezes que nasceram para uma nova vida, será o Öjï Orúkö Ìyàwó.

Na primeira vez, eles serão apresentados vestidos de branco, pintados de branco (ëfun) com o ìkódídë (pena ritualística, um dos símbolos da iniciação) amarrado na cabeça por palha da costa.
Na frente deles estará a ajíbïna estendendo a ëní - esteira, para que eles "batam pawï" para os locais sagrados da casa e apresentem o dïbálû (Òrisá masculinos) e o yìnká (Òrisá femininos) para a Ìyálórìñà.

Na segunda vez, as roupas serão coloridas, assim como as pinturas que abusarão do vermelho (òsún) e azul (wáji), dependendo do Òrisá, mostrando a sua ancestradidade através de traços bem definidos.
Na verdade, desta vez, a apresentação é bem mais rápida.

Na terceira vez, as roupas já serão as características de cada Òrisá, ou seja, eles estarão vestidos em belas roupas que revelam os atributos, lembram a história, de seus Òrisá.

Na segunda saída, dependendo da casa, após os cumprimentos rituais, os ìyàwó serão expostos ao público na ordem hierárquica do barco e a Ìyálórìñà oferecerá cada um deles para que alguém de outra nação, casa, família (normalmente nesta ordem), peça para que o Òrisá revele publicamente o nome Yorùbá que o iniciado recebeu.

Na terceira saída, os Òrisá estarão preparados para comemorar os novos nascimentos, pois este é o objetivo da iniciação - nascer para dentro da religião, através das danças rituais.
Dependendo do número de ìyàwó, os Òrisá podem dançar até os raios do sol invadirem o barracão.

Muito bonito sem dúvida, mas engana-se quem pensa que a iniciação acabou. Esquecemo-nos de mencionar que o Kele - o colar sagrado, foi colocado no pescoço da ìyàwó durante o processo de iniciação.
É importante notar que o termo "colar" é utilizado apenas para facilitar o entendimento, pois, apesar de ser colocado no pescoço, o Kele não pode ser removido, exceto através de ritual específico.
Dependendo da casa, da família, o Kele deverá ser carregado por 12 semanas, lembrando que a ìyàwó deverá respeitá-lo evitando todos prazeres mundanos, tais como sexo, álcool, tabaco, etc., além de uma série de proibições - èwî, inerentes a esta fase primária da iniciação.
Hoje em dia, na tentativa de tornar o Kele objeto de respeito máximo, muitas Ìyálórìñà não deixam seus ìyàwó entrarem para a vida social portando o colar sagrado - preferem tirá-lo do pescoço dos seus filhos antes que estes partam para a vida moderna que os aguarda lá fora.
Mas isto não significa que eles estarão livres dos èwî ! Talvez eles sejam liberados para comer com talheres em um almoço de negócios, mas isto poderá ser o máximo permitido, pois dormir no chão sobre a ëní e as rezas antes das refeições que não sejam exigidas pela vida profissional continuarão sendo algumas poucas das suas muitas obrigações para com os Òrisá.
Alguns èwî, dependendo do Òrisá, da casa, da família, etc., não estarão limitados somente ao período do Kele, ou seja, deverão ser respeitados por toda vida do iniciado.

Como ensinado pela ajíbïna, enquanto eles forem ìyàwó, eles jamais poderão sentar no mesmo nível que os irmãos mais velhos, nem olhar diretamente em seus olhos.
É a hierarquia intrínseca ao Candomblé (ou seria à cultura Yorúbà ?) se mostrando: um irmão mais novo não deve nunca ficar acima (fisicamente) de um irmão mais velho.
Ao contrário das demais culturas, o "olhos nos olhos" só funciona para pessoas do mesmo nível hierárquico, os que estão abaixo devem sempre olhar para o chão.
Esta educação inicial mostrará quem é a pessoa para o resto de sua vida dentro da religião.

Passado o período do Kele, o iyàwó, teoricamente, entra em seu ritmo social normal até o primeiro ano, quando então cumprirá com novas obrigações chamadas de ödún kíni.


Depois precisará cumprir com suas obrigações aos três anos (ödún kýtà).

Há casas onde também são cumpridas obrigações no quinto ano.

Finalmente, vem as obrigações que são a confirmação final da iniciação e que são feitas aos sete anos (ödún kéje),
quando então a ìyàwó se tornará um Ûgbïn (mais velho) através de uma cerimônia pública, onde poderá receber o conjunto de símbolos da maioridade, comumente chamado de Deká.

A partir daí, o Ûgbïn, ou Ûgbïnmi, como é normalmente chamado, estará apto a abrir sua própria casa, caso este seja seu caminho (definido no momento da sua concepção e revelado pelo jogo de búzios), dando origem à sua própria família com base nos ensinamentos que adquiriu durante os sete anos de iniciação, de aprendizado inicial.

Durante o referido período, é esperado que ele tenha sido submetido a, e estado presente em, rituais suficientes para que esteja habilitado a, pelo menos, interpretar corretamente as caídas dos búzios, pois muito do que praticará de agora em diante, aprenderá à medida que os Òrisá digam que ele precisa iniciar os abÒrisá que cruzarem seu caminho.

Aqueles que não têm o "caminho" para assumirem a função de Ìyálórìñà, de abrirem suas próprias casas, continuarão atuando dentro daquela onde foram iniciados, podendo receber nesta cargos e/ou títulos (Oyè) que determinarão os seus papéis junto à sua família (Ìdílé Òrisá).
Nesta condição, além das classificações já expostas, estes abÒrisá passarão também a ser classificados como Oloyè.


Conforme define o Prof. Prandi, "receber um Oyè geralmente implica sentar na cadeira (cadeira, trono, representava na África que o indivíduo tinha alta posição social, assim como usar o eru-espanta mosca, o guarda-sol e outros símbolos de prestígio e poder). A confirmação é o ato em que o pai-de-santo ou Òrisá senta o Oloyè na cadeira, para indicar que ele agora tem status alto, posição elevada, etc. naquele Ëgbý (comunidade)".

Ele adiciona ainda que, ao abrir sua própria casa, a Ìyálórìñà não perde o vínculo com a casa onde foi iniciada, podendo, inclusive, manter um Oyè recebido previamente naquela casa, ou até ser confirmada para um Oyè naquela ou em outra casa após ter constituído sua própria família.


Em seu livro "Meu Tempo é Agora" (ISBN 85-85336-04-8), Maria Stella de Azevedo Santos - Ìyálórìñà do Òpó Afönjá, vai um pouco além sobre este assunto e diz: "Ao aceitar o Oyè, o Adóñù passa a ter maior responsabilidade no terreiro. Caso não corresponda à altura, por desmazelo ou incompetência, responderá, diretamente, ao Òrisá que o designou. Os cargos são vitalícios."

Pelo pouco que aqui foi exposto, imaginamos que seja possível notar que a iniciação é um processo muito mais complexo do que muitos imaginam e ela não tem o único objetivo de formar Ìyálórìñà, pois um Ëgbý depende (e muito) de pessoas com os mais diversos caminhos, todas de grande importância na manutenção não só da religião, mas da imensa carga cultural trazida do oeste africano pelos escravos para o Brasil e que tanto influenciou a cultura do país.


Texto de: Riz Maglio D’Ogun
riz@onmail.com.br
http://www.paperini.net/Igburu.htm
Imagem site O Candomblé.woedpress

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