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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SOBRE O IFÁ, O ORÁCULO DOS ANCESTRAIS AFRICANOS

Ifá, é o nome de um Oráculo africano.
É um sistema de adivinhação que se originou na África Ocidental entre os Yorubas, na Nigéria. É também designado por Fa entre os Fon e Afa entre os Ewe. Não é propriamente uma divindade (Orixá), é o porta-voz de Orunmilá e dos outros Orixás.

O sistema pertence as religiões tradicionais africanas mas também é praticado entre os adeptos da Lukumí de Cuba através da Regla de Ocha, Candomblé no Brasil através do Culto de Ifá, e similares transplantadas para o Novo Mundo.


O Orixá Orumilá é também chamado de Ifá, ou Orunmila-Ifa e também é denominado frequentemente Agbonniregun ("Aquele que é mais eficaz do que qualquer remédio").


Em caso de dúvida Ifá é consultado pelas pessoas que precisam de uma decisão, que queiram saber sobre casamentos, viagens, negócios importantes, doenças, ou por motivo religioso.

Para os yorubas o sacerdote é o babalawo
e entre os Fons e Ewes recebe a designação de bokonon, e o sistema de adivinhação é o mesmo.
O babalawo (pai do segredo) recebe as indicações para as respostas através dos signos (odù) de Ifá.

Orunmilá é o orixá e divindade da profecia.
Ifá é o nome do Oráculo utilizado por Orunmilá.
O Culto de Ifá pertence a religião yoruba.


O culto do vodun Fa é originário de Ile Ifè,
e chegou ao antigo Dahomey pelas mãos de sacerdotes imigrados do território yoruba já a partir do século XVII, mas sua instalação oficial como uma das divindades reconhecidas pelo rei de Abomey teria se dado ou através do babalawo Adéléèyé, de Ile Ifè que chegou a Abomey no reinado de Agadjá (1708-1732) , junto com outros (Gongon, Abikobi, Ato e Gbélò), ou pela princesa Nà Hwanjele, mãe do rei Tegbessu (1732-1775), que era de origem yoruba.
Os sacerdotes de Fá são chamados em fon de bokonon, o correspondente a babalawo dos yoruba.
O bokonon da corte de Abomey é um dos dignitários do rei reconhecido na categoria de príncipe e está entre os poucos autorizados a vestir djelaba em público e a permanecer com a cabeça coberta diante do rei e da rainha-mãe.

O Babalawo é o sacerdote do Culto de Ifá.
Ele é o responsável pelos rituais, iniciações, todos no culto dependem de sua orientação e nada pode escapar de seu controle.
Por garantia, ele dispõe de três métodos diferentes de consultar o Oráculo e, por intermédio deles, interpretar os desejos e determinações dos Orixás.
Òpelè-Ifá, Jogo de Ikins.

Opon-Ifá, tábua sagrada feita de madeira e esculpida em diversos formatos, redonda , retangular, quadrada, oval, utilizada para marcar os sígnos dos Odús (obtidos com o jogo de Ikins) sobre um pó chamado Ierosum.
Método divinatório do Culto de Ifá utilizado pelos babalawos.
Irofá de Orula instrumento utilizado pelo babalawo durante o jogo de Ikin com o qual bate na tábua Opon-Ifá.

O Òpelè-Ifá ou Rosário de Ifá
é um colar aberto composto de um fio trançado de palha-da-costa ou fio de algodão, que tem pendentes oito metades de fava de opele, é um instrumento divinatório dos tradicionais sacerdotes de Ifá.

Existem outros modelos mais modernos de Opele-Ifá, feitos com correntes de metal intercaladas com vários tipos de sementes, moedas ou pedras semi-preciosas.

O jogo de Opele-Ifá
é o mais praticado por ser a forma mais rápida, pois a pessoa não necessita perguntar em voz alta, o que permite o resguardo de sua privacidade, também de uso exclusivo dos Babalawos, com um único lançamento do rosário divinatório aparecem 2 figuras que possuem um lado côncavo e outro convexo, que combinadas, formam o Odú.

O Jogo de Ikin
só é utilizado em cerimônias relevantes, só pode ser consultado pelo babalawo.
O jogo compõe-se de 21 nozes de dendezeiro Ikin, que são manipuladas pelo babalawo com a finalidade de se apurar o Odú a ser interpretado e transmitido ao consulente.
Dos 21 Ikins, 16 são colocados na palma da mão esquerda, com a mão direita rapidamente o babalawo tenta retirá-los de uma vez.
A determinação do Odú é a quantidade de Ikin que sobrou na mão esquerda, o resultado seja qual for, terá que ser riscado sobre o ierosun que está espalhado no Opon-Ifa, para um risco usa o dedo médio da mão direita e para dois riscos usa dois dedos o anular e o médio da mão direita.
Deverá repetir a operação quantas vezes forem necessárias até obter duas colunas paralelas riscadas da direita para a esquerda com quatro sinais, se não sobrar nenhum ikin na mão esquerda, a jogada é nula e deve ser repetida.

O oráculo consiste em um grupo de cocos de dendezeiro ou Búzios, ou réplicas destes, que são lançados para criar dados binários, dependendo se eles caem com a face para cima ou para baixo.
Os cocos são manipulados entre as mãos do adivinho , e no final são contados, para determinar aleatoriamente se uma certa quantidade deles foi retida.
As conchas ou as réplicas são freqüentemente atadas em uma corrente divinatória, quatro de cada lado.
Quatro caídas ou búzios fazem um dos dezesseis padrões básicos (um odu, na língua Yoruba); dois de cada um destes se combinam para criar um conjunto total de 256 odus.
Cada um destes odus é associado com um repertório tradicional de versos (Itan), freqüentemente relacionados à Mitologia Yoruba, que explica seu significado divinatório.
O sistema é consagrado aos orixás Orunmila-Ifa, orixá da profecia e a Exu que, como o mensageiro dos Orixás, confere autoridade ao oráculo.

O sistema inteiro traz uma semelhança superficial com os sistemas ocidentais de geomancia.
Suspeita-se que a geomancia ocidental é um empréstimo de um sistema criado pelos Árabes e trazida para o norte da África, onde foi aprendida pelos europeus durante as Cruzadas.
Muito embora possua um número diferente de símbolos, o sistema carrega também alguma semelhança com sistema chinês do I Ching.

O Babalaô brasileiro William de Ayrá (Mestre Obashanan, discípulo de Mestre Arapiagha)
foi o primeiro a realizar um estudo comparativo sério e eficaz entre o Ifá, o I-ching, Geomancia e o cabalismo de diversas culturas, com resultados filosóficos e divinatórios comprovados.

Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil foram sacerdotes Umbandistas. W.W. da Matta e Silva, conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras.
Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo. A tradição africana de Ifá só chegou ao Brasil via africanos e Cubanos muito mais tarde.

Cada odù é formado por um conjunto constituído por duas colunas verticais e paralelas de quatro índices cada.
Cada um desses índices compõem-se de um traço vertical ou de dois traços verticais paralelos que o babalawo traça no pó (iyerosun) espalhado sobre um tabuleiro de madeira esculpida (Opon-Ifá) à medida que vai extraindo os resultados pela manipulação dos cocos de dendezeiro ou ikin-ifá.

O babalawo detecta esse odù manipulando caroços de dendê (Ikin) ou jogando o rosário de Ifá chamado (Opele-Ifa).

Existem 256 odù, correspondendo cada um a uma série lendas (Itan).

Cada odù é formado por um conjunto constituído por duas colunas verticais e paralelas de quatro índices cada.
Cada um desses índices compõem-se de um traço vertical ou de dois traços verticais paralelos que o babalawo traça no pó (iyerosun) espalhado sobre um tabuleiro de madeira esculpida (Opon-Ifá) à medida que vai extraindo os resultados pela manipulação dos cocos de dendezeiro ou ikin-ifá.

O babalawo detecta esse odù manipulando caroços de dendê (Ikin) ou jogando o rosário de Ifá chamado (Opele-Ifa).

Existem 256 odù, correspondendo cada um a uma série lendas (Itan).


No Candomblé, cultuar Ifá, também conhecido como Orunmilá, é fundamental.
Divindade da sabedoria para os religiosos Iorubás, nada se faz sem antes consultá-lo.

A Comunicação com os Orixás pode ser feita pelo Oráculo de Ifá ou pelo Jogo de Búzios.
Ifá é o nome que Olodumarê, o Deus Criador, deu para Orunmilá enquanto divindade manifestada no mundo.
Ifá é o Oráculo, o sistema divinatório composto de diversos métodos.
Os mais conhecidos são o Opelé, o Ikin e o Merindilogun ou jogo de búzios. Orunmilá é a divindade e Ifá é o sistema onde esta divindade se manifesta.
Não há Ifá sem Orunmilá e nem Orunmilá sem Ifá.
Estes dois conceitos são tão intimamente relacionados que muitas vezes nos referimos a Orunmilá como Ifá. Orunmilá é a divindade da sabedoria e do conhecimento, responsável pela transmissão das orientações dos deuses e de nossos ancestrais, de maneira a permitir a cada um de nós a possibilidade de uma escolha acertada para uma vida feliz.

Orunmilá, a Testemunha do Destino e da Criação.
O segundo após Olodumarê. Aquele que estava presente, ao lado de Deus, quando a Vida, o Mundo, o Homem foi criado.
Orunmilá tudo vê, tudo sabe, tudo conhece.
Não há nada que tenha sido criado ou que virá a ser criado que Orunmilá não saiba antes.
Orunmilá conhece a vida e conhece a morte, ele conhece a existência: o antes e o depois.
Por isso ele pode ajudar.

Orunmilá/Ifá deve ser compreendido como um sistema:
é o homem e a sua ferramenta. Por vezes o homem é a sua própria ferramenta. Orunmilá é tanto humano quanto espírito.
Enviado por Olodumarê para ir a diferentes lugares sempre que há necessidade para ajudar os homens a enfrentarem seus problemas, contornando obstáculos e desenvolvendo o seu bom caráter.
Podemos também imaginar Orunmilá como o espírito de Olodumarê manifestado no homem.

Alguns dizem que a palavra Orunmilá deriva de Oro-Omo-Ela ou Oro= palavra/espírito, Omo= filho, Ela= Deus.
Após a Criação, Orunmilá veio à Terra como a divindade encarregada por Olodumarê para ensinar os homens. Esta mensagem é Ifá, a luz, o conhecimento e a orientação da sabedoria ancestral de toda a humanidade.

O jogo de búzios tem por finalidade identificar nosso Orixá (Ori=Cabeça (física e astral) + Isá=guardião); ou seja, problemas do plano astral, espiritual, material e suas soluções.

O jogo de búzios é uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como consulta, quer seja;
para identificar o nosso Orixá;
a situação material,
astral e espiritual,
principalmente com relação a problemas e dificuldades.
A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada a Òrúnmìlà, cujos Babalorixás, são seus porta-vozes, outras lendas africanas, mostram a ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Oxalá.
Os búzios são jogados em número de dezesseis, que correspondem aos dezesseis Odús principais.

Métodos divinatórios

Merindilogun

Merindilogun ou Merindelogun - vem da palavra Erindinlogun e a tradução é dezesseis, sistema utilizado na África pelos yorubás algumas vezes chamado de dilogun (abreviatura de merindilogun), entregue ao sacerdote no ritual de oyê depois da obrigação de odu ejé. É um dos muitos métodos divinatórios utilizado pelos Babalâos, Babalorixás e Iyalorixás que conta com 16 búzios. É um método diferente do jogo de búzios, pois nele ocorre a interpretação das caídas dos búzios por odù e (cada odù indica diversas passagens) de acordo com a mitologia yorubá. No merindilogun, antes do arremesso dos búzios é Ifá o intermediário, quando eles caem dando a quantidade, o intermediário passa a ser Exu Elegba, que sempre acompanha Ifá. As caídas são dadas conforme a quantidade de búzios abertos e fechados resultante de cada arremesso. A resposta para cada quantidade de búzios abertos e fechados, corresponde um Odù e como ocorre no Opele-Ifa, esse odù deve ser interpretado, transmitindo-se ao consulente tanto o significado da caída, quanto o que deve ser feito para solucionar o problema.

Caida de Búzios



Um búzio aberto - Òkànràn Méjì
Dois búzios abertos - Ejiokô
Três búzios abertos - Ògúndá Méjì
Quatro búzios abertos - Ìrosùn Méjì
Cinco búzios abertos - Òsé Méjì
Seis búzios abertos - Òbàrà Méjì
Sete búzios abertos - Òdí Méjì
Oito búzios abertos - Êjioníle
Nove búzios abertos - Òsá Méji
Dez búzios abertos - Òfún Méjì
Onze búzios abertos - Ôwarin Méjì
Doze búzios abertos - Ejilaṣèborá
Treze búzios abertos - Êjiologbon
Quatorze búzios abertos - Ìká Méjì
Quinze búzios abertos - Obéogundá
Dezeseis búzios abertos - Alafia
Obi

O Obi que é um fruto africano de uso imprescindível no Candomblé, sem ele nenhuma obrigação é feita. Para que a obrigação, ou outro rito prossiga com aceitação dos orixás é necessário uma resposta positiva a ser dada através do Obi.

Ele deve ser jogado antes da obrigação para saber se o ritual pode ser realizado e depois de feito para saber se foi aceito pelos deuses.

O fruto utilizado deve ser o que possui quatro gomos, chamado de Obi Abatá, sua divisão deve ser natural, ou seja é proibido o uso de faca ou qualquer material cortante, para dividi-lo em quatro partes, se naturalmente ele só contiver duas partes.

As duas metades correspondem a dois casais, caso o obi contenha mais de quatro partes, o excedente deve ser retirado, para que somente as quatro permaneçam. O local onde o Obi será lançado deve ser plano, no chão ou sobre um prato branco, onde fundamentalmente contenha água.

As partes são lançadas simultaneamente, sem manipulação ou lançamento individual. Uma exceção deve ser feita no uso do Obi como jogo, para o Orixá Xangô deve ser utilizado Orobô em substituição do Obi. As caídas dos gomos de Obi tem a seguinte correspondência:

Um para cima e três para baixo: O orixá Exu é quem responde ao jogo. É necessário verificar se as obrigações a ele foram cumpridas. O zelador deve saudá-lo colocando a mão no chão e no peito por três vezes e continuar o jogo. O odu correspondente é Okaran.
Dois para cima e dois para baixo: A resposta vem de Ogum que neste caso representa o equilíbrio. O odu corresponde a Ejiokomeji.
Três para cima e um para baixo: Não é considerada uma resposta precisa, sendo assim não há autorização para iniciar nenhuma obrigação.
Todos para baixo: Uma resposta negativa.
Todos para cima: Resposta positiva para a obrigação possa ser iniciada e com êxito. O odu correspondente é Aláfia.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Odu
http://www.maze.kinghost.net/candomble.aspx?id=oraculoifa

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