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POR AMOR AOS ORIXÁS - ANO III

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ÀBÍKÚ

Se uma mulher, em um  país yorùbá dá à luz uma série de crianças natimortos ou mortas em baixa idade, a tradição reza que não se trata da vinda ao mundo de várias crianças diferentes, mas de diversas aparições do mesmo ser, (para eles maléfico), chamado àbíkú (nascer-morrer) que se julga vir ao mundo por um breve momento para voltar ao país dos mortos,


Orún (céu), várias vezes. Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus pais, desejosos de ter os filhos vivos.

Essa crença se encontra entre os Akan, onde a mãe é chamada awomawu (ela bota os filhos no mundo para a morte).

Os Ibo chamam os àbíkú de ogbanje, os Hauças de danwabi e os Fanti, kossamah. Encontramos informações a respeito dos àbíkú em oito Itans (histórias) de Ifá, sistema de adivinhação dos yorùbás, classificados nos 256 òdú (sinais de Ifá).

Essas histórias mostram que os àbíkú formam sociedades no egbá Orún (céu), presididas por Iyàjansà (a mãe-se-bate-e-corre) para os meninos e Olókó (chefe da reunião) para as meninas, mas é Aláwaiyé (Rei de Awaiyé) que as levou ao mundo pela 1ª vez na sua cidade de Awayié.

Lá se encontra a floresta sagrada dos àbíkú, aonde os pais de àbíkú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo.

Quando eles vêm do céu para a terra, os àbíkú passam os limites do céu diante do guardião da porta, oníbodé Orún, seus companheiros vão com ele até o local onde eles se dizem até logo.

Os que partem declaram o tempo que vão ficar no mundo e o que farão. Se prometerem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas, crianças apesar de todos os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu.

Os àbíkú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um àbíkú menina chamada "A-morte-os-puniu" declara diante de oníbodé Orún que nada do que os seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes nem dinheiro, nem roupas que lhes ofereçam, nem toda a coisa que eles gostariam de fazer por ela atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam. Um àbíkú menino, chamado ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo.

Ele aceitará tudo isto no céu. Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta àbíkú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo.

Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; outro iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele casasse; outro que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar.

Outros prometem à iyàjanjasà, que está chefiando a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar n mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes ou ficar em pé.

Nossas histórias de Ifá nos dizem que oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses àbíkú e de lhes fazer esquecer suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo de suas idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo marcado para a volta já tenha passado, seus companheiros se arriscam a perder o poder sobre eles.

É assim que nessas quatro histórias encontramos oferendas que comportam um tronco de bananeira acompanhado de diversas outras coisas.

Um só dos casos narrados, o terceiro, explica a razão dessas oferendas: Um caçador que estava à espreita, no cruzamento dos caminhos dos àbíkú, escutou quais eram as promessas feitas por três àbíkú quanto à época do seu retorno ao céu.

Um deles promete que deixará o mundo assim, que o fogo utilizado por sua mãe, para preparar sua papa de legumes, se apague por falta de combustível.

O segundo esperará que o pano que sua mãe utilizar, para carregá-lo nas costas se rasgue. A terceira esperará, para morrer, o dia em que seus pais lhe digam que é tempo de ele se casar e ir morar com seu esposo.

O caçador vai visitar as três mães no momento em que elas estão dando à luz a seus filhos àbíkú e aconselha a primeira que não deixe se queimar inteiramente a lenha sob o pote que cozinha os legumes que ela prepara para seu filho; a segunda que não deixe se rasgar o pano que ela usar para carregar seu filho nas costas, que utilize um pano de qualidade diferente; ele recomenda, enfim à terceira, de não especificar, quando chegar a hora, qual será o dia em que sua filha deverá ir para a casa do seu marido.

As três mães vão então consultar a sorte, Ifá, que lhes recomenda que façam respectivamente as oferendas de um tronco de bananeira, de uma cabra e de um galo, impedindo, por meio deste subterfúgio, que os três àbíkú possam manter seu compromisso.

Porque, se a primeira instala um tronco de bananeira no fogo, destinado a cozinhar a papa do seu filho, antes que ele se apague, o tronco de bananeira, cheia de seiva e esponjosa, não pode queimar, e o àbíkú, vendo uma acha de lenha não consumida pelo fogo, diz que o momento da sua partida ainda não é chegado.

A pele de cabra oferecida pela Segunda mãe serve para reforçar o pano que ela usa para levar seu filho nas costas à criança àbíkú não vai achar nunca que esse pano se rasgou e não vai poder manter sua promessa.

Não se sabe bem o porquê do oferecimento de um galo, mas a história conta que quando chegou a hora de dizer à filha já uma moça, que ela deveria ir para casa do seu marido, os pais não lhe disseram nada e a enviaram bruscamente para a casa dele.

Nossos três àbíkú não podem mais manter a promessa que fizeram, porque as circunstâncias que devem anunciar sua partida não se realizaram tais como eles tinham previsto na sua declaração diante de oníbodé Orún. Estes três àbíkú não vão mais morrer. Eles seguiram outro caminho.

Comentamos esta história com alguns detalhes porque ilustra bem o mecanismo das oferendas e de sua função.

Não é o seu lado anedótico (de lenda) que nos interessa aqui, mas a tentativa de demonstração de que em país yorùbás, a sorte (destino) pode ser modificada, numa certa medida, quando certos segredos são conhecidos.

Entre as oferendas que os retêm aqui, na terra, figuram, em primeiro plano, as plantas litúrgicas. Cinco delas são citadas nestas histórias: Abíríkolo (crotalaria lachnophera, papilolionacaae). Agídímagbayin (não identificada). Ídí (terminalia ivorensis, combretacae). Ijá àgborin (não identificada). Lara pupa (ricinus communis – mamona vermelha).

Ainda mais duas plantas são freqüentemente utilizadas para reter os àbíkú e que não figuram nessas histórias: Olobutoje (jatropha curcas, euphorbiaceae). Òpá eméré (waltheria americana, sterculiaceae). A oferta dessas folhas constitui uma espécie de mensagem e é acompanhada por ofó (encantamentos).

Em país yorùbá, os pais para proteger seus filhos àbíkú e tentar retê-los no mundo podem se dedicar a certas práticas, tais como fazer pequenas incisões nas juntas da criança e aí esfregar atin (um pó preto feito com ossum, favas e folhas litúrgicas para esse fim) ou ainda ligar à cintura da criança um onde, talismã feito desse mesmo pó negro, contido num saquinho de couro.

A ação protetora buscada nas folhas expressa nas fórmulas de encantamento é introduzida no corpo da criança por pequenas incisões e fricções, e a parte do pó preto, contida no saquinho do ondé, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos hostis, sendo essa forma de expressão menos efêmera do que a palavra.

Em outra história, são feitas alusões aos saorôs, anéis providos de guizos, usados nos tornozelos pelas crianças àbíkú, para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los no mundo e lembrar-lhes suas promessas.

De fato seus companheiros não aceitam assim tão facilmente a falta de palavra dos àbíkú, retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais, de acordo com o conselho dos Bábálorìsá.

Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as crianças àbíkú sobre a terra. Iyàjanjasà é muitas vezes mais forte.

Ela não deixa agir o que as pessoas fazem para retê-los e porá tudo a perder o que às pessoas tiverem preparado. Contra os àbíkú não há remédios. Yiájanjàsá os atrairá à força para o céu. Os corpos dos àbíkú que morrem assim são freqüentemente mutilados.

A fim de que, dizem, eles percam seus atrativos e seus companheiros no céu não queiram brincar com eles, sobretudo para que o espírito do àbíkú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo.

Essas crianças àbíkú recebem no seu nascimento, nomes particulares. Alguns desses nomes são acompanhados de saudações tradicionais.

Eles podem ser classificados: quer nomes que estabeleçam sua condição de àbíkú; quer nomes que lhes aconselham ou lhe suplicam que permaneçam no mundo, quer em indicações de que as condições para que o àbíkú volte não são favoráveis; quer em promessas de bom tratamento, caso eles fiquem no mundo.

A freqüência com que se encontram, em país yorùbá, esses nomes em adultos ou velhinhos que gozam de boa saúde, mostra que muitos àbíkú ficam no mundo graças, pensam as almas piedosas, a todas essas precauções, à ação de Òrúnmìlà, e à intervenção dos Bábálorìsá.



ALGUNS NOMES DADOS AOS ÀBÍKÚ



Aiyédùn – a vida é doce. Aiyélagbe – Nós ficamos no mundo. Akúji – O que está morto, desperta. Bánjókó – Senta-se comigo. Dúrójaiyé – Fica para gozar a vida. Dúróoríìke – Fica tu serás mimada. Èbèlokú – Suplica para que fique. Ilètán – A terra acabou (não há mais terra para enterrá-lo). Kòjékú – Não consinta em morrer. Kòkúmó – não morra mais. Kúmápáyìí – A morte não leva este daqui. Omotúndé – A criança voltou. Tìjúikú – Envergonhado da morte (não deixa a morte te matar).

ITANS de IFÁ. É PRECISO CUIDAR DOS ÀBÍKÚ, SENÃO ELES VOLTAM PARA O CÉU OFERENDAS PODEM RETER ÀBÍKÚ NO MUNDO SUBTERFUGIOS PARA RETER OS ÀBÍKÚ NO MUNDO MOSETÁN FICA NO MUNDO OLÓÌKÓ É O CHEFE DA SOCIEDADE DOS ÀBÍKÚ ASEJÉJEJAIYÉ FICA NO MUNDO NA DÉCIMA SEXTA VEZ QUE ELE VEM OS ÀBÍKÚ CHEGAM PELA PRIMEIRA VEZ EM AWAIYÉ ÍYÁJANJÀSÁ NÃO DEIXA OS ÀBÍKÚ FICAR NO MUNDO.

Estes itens completos são descritos numa edição da revista Afro – Ásia, em 14 – 1983, sob o título. A SOCIEDADE EGBÉ ÒRUN DOS ÀBÍKÚ, AS CRIANÇAS NASCEM PARA MORRER VÁRIAS VEZES.

As cerimônias para os àbíkú parecem ser pouco freqüentes entre os yorùbás, a única assistida por Pierre Verger, à cerimônia foi feita pela tanyinnon encarregada do culto aos deuses protetores de uma família tradicional do bairro Houéta.

Num canto da peça principal, oito estatuetas de madeira com 20 centímetros de altura e eram colocadas sobre uma banqueta de barro. Todos vestidos de panos da mesma qualidade, mostrando pela uniformidade de suas vestimentas, pertencerem a uma mesma sociedade (egbé).

Seis destas estatuetas representam àbíkú e as outras duas Ibedji. As oferendas consistiam de: oká (pasta de inhame). Obèlá (espécie de caruru). Èkuru (feijão moído e cozido nas folhas). Eram dindi, eja dindin (carne e peixe fritos). Depois da prece da tanyionnon e da oferenda de parte desta comida às estatuetas, foram distribuídas pela assistência.

Uma sacerdotisa de Obàtálá assistiu à cerimônia sublinhando as ligações que existem entre o Òrìsá da criação, as pessoas de corpos mal formados, corcundas, alijados, albinos e aqueles cujo nascimento é anormal (àbíkú e Ibedji).

Portanto ao contrário que muitos falam nada tem a ver com a criança que já nasce "feita" no santo. ÀBÍKÚ – CONSIDERAÇÕES DO AUTOR NOS TEMPOS DE HOJE. O legado dos antigos pelas suas crenças, histórias e ritos da sua prática religiosa e cultural, se adaptam e se aplicam em qualquer tempo, através da sua sabedoria, com muita propriedade.

Em seu tempo, não há referências ao aborto, mas ao contrário, o esforço pela manutenção da vida, inclusive em quantidade. Pela prática divinatória através do jogo de búzios, nos dias de hoje identificamos muitos desses àbíkú, que percebemos em uma segunda instância, muitos são "criados", passam a existir por ingerência do ser humano através do aborto, é até simples de entender e ver por uma ótica e lógica astral/espiritual a qual simplesmente não podemos deletá-la da nossa mente e inteligência, ou na pior das hipóteses, ignorá-la.

No instante em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, esta nova matéria existente já é provida de alma e espírito, que os cristãos chamam de "anjo da guarda" e os yorubanos de Òrìsá (guardião da cabeça), este fenômeno consta na teologia Yorubana, na lenda de Ajálá, que será comentada.

Quando da execução do aborto propriamente dito, o ser humano supostamente exerce o "seu direito" de eliminar aquele ser; mas somente a parte material, o corpo, por ele criado através do ato sexual de procriação, matando de forma definitiva o feto. Mas e o que por ele não foi criado, alma e espírito, onde fica, para onde vai?

Esta análise via de regra não é feita ou levada em consideração, acaso haverá conseqüências? Seriíssimas, que aqui descrevemos com muita convicção, pautado nas mais diversas constatações através dos consulentes, por mais de duas décadas, dos sintomas pós-aborto, a presença daquela "figura" que aparece de uma forma genética, oriunda de gerações passadas, os que são provocados e voltam ainda na mesma geração, e os que voltarão em nossos descendentes, e da forma mais imprevisível possível.

A grande maioria de seres que nascem com deformidades, doenças graves, mortes prematuras… Tem grandes possibilidades de serem àbíkú fabricados pelo homem. Nos dias de hoje, quando morre uma criança ainda nova, há muita possibilidade de ser um àbíkú que está voltando ao "céu", bem como persiste a probabilidade de voltar em um próximo filho, ainda na mesma geração ou na próxima; quando uma criança fica muito doente e corre risco de vida, pode averiguar na família se já há caso de aborto ou morte prematura, é bem possível.

As reações, mais da mãe que do pai, em caso de aborto, porque muitas vezes o pai não fica sabendo e não participa da decisão, na sua vida, no seu dia a dia são sintomáticas: desequilíbrio generalizado, na vida pessoal, no trabalho, em casa, nos estudos, nada dá certo, nada vai bem, angustia, depressão, pessimismo, falta de ânimo, aparentemente tudo deveria estar bem, mas as coisas não "vão".

É a influência daquele "ser", que contrariando as leis da natureza foi "fisicamente" eliminado, o qual fica gravitando num outro plano próximo aos pais, afetando suas vidas com estes sintomas.

Até mesmo por uma questão de justiça, não poderá um àbíkú que foi "gerado" por uma família, aparecer em outra, que nada tem a ver com o ato irresponsável de outros, e percebemos que uma criança que já nasce deformada de alguma forma, ou uma doença grave com morte, quem sofre realmente na sua plenitude são os pais, porque a dor interna é maior que a dor física, a criança já nasceu daquela forma, para ela que não sentiu e não sabe ser saudável, não percebe e não imagina como se sente alguém normal, portanto a sua dor ou problemas, para si é normal.

Esta situação pode e deve ser tratado no seu campo espiritual, o antigo nos legaram instrumentos dentro da religião yorùbá, para fazê-lo, através de ebós e oferendas específicas, que se vale do mesmo princípio aplicado nos países yorubanos, quer seja: "enganar" os àbíkú.

Muito se pode melhorar e modificar, evidente que em alguns casos é irreversível após o nascimento, mas se detectado ou informado o Bábálorìsá ou Yálorísá competente, pelo que foi descrita, a mãe que poderia vir a ter um filho àbíkú, por meio desses ebós e oferendas pode-se evitar a vinda de um ser deformado ou com problemas sérios, que na realidade, nada mais é que um "retorno sob forma de castigo" de atos nossos ou de gerações passadas, de um processo que nunca foi tratado ou interrompido.

Desta forma vê-se que o aborto é uma situação que transcende a ingerência das pessoas, pois é algo ligado diretamente à natureza, e conseqüentemente ao Seu Criador, modifica-se ou escapa da lei dos homens, mas não à Divina.

Este é um fato porque nenhuma religião da terra permite o aborto. Há UMA DISCÚSÃO EM TORNO DE ÀBÍKÚ, O NASCIDO PARA MORRER, MAS TODOS ESTÃO AQUI PARA EXATAMENTE ISSO. NASCER PARA MORRER. MAS ANALISEM ESTE TEMA. Diferença de àbíkú e Abiasé: É costume na cultura Gêge Yorùbá dar nomes especiais a certas crianças chamadas ÀBÍKÚ, cuja tradução é "nascido para morrer”.

Elas são consideradas pela ancestral cultura africana como pertences a uma legião de "demônios" que moram nas florestas ou em torno das árvores de Iroko, a gameleira branca, ou ainda figueira chorona. È sábio que cada um desse àbíkú quando nascem já trazem consigo o dia e a hora em que vão retornar para o "outro lado da vida" para companhia dos seus "amiguinhos" das florestas de Iroko. Geralmente esse tempo é determinado entre o nascimento e os sete anos de vida.

Assim as providencias são tomadas para que essas crianças permaneçam no mundo dos vivos. Fazendo esquecer as datas, e conseqüentemente seus "amiguinhos do outro lado”.

Além de amuletos e magias feitas nessas crianças, os quais vão desde símbolo, breves e patuás que são postos em suas pernas, braços e pulsos, pinturas destoantes são feitas em seus corpos de formam que transmitam sentimentos repulsivos para que assim os seus "antigos companheiros" do outro lado recusem uma nova ligação com "figuras deformadas" e os obriguem a ficar na vida. Certos nomes significativos são dados a essas crianças àbíkús, para deixar claro que seus objetivos foram descobertos e antecipados:




NOMES DE ÀBÍKÚ


01- Malómo – não vai embora novamente
02- Kosokó – Não existe mais pá (para cavar á sepultura)
03- Banjokô – Sente-se ou fique comigo
04- Durosimi – Espere para me enterrar (enquanto eu viver)
05- Jekiniyin – Permita que eu tenha um pouco de respeito
06- Akisatan – Não existe mais mortalha para sepultamento
07- Apará – Aquele que vai e vem
08- Okú – O morto
09- Igbekoyi – Nem a floresta quer a você
10- Enú-Kún-onipê – O consolador está desgastado
11- Akuji – Morto e acordado
12- Tijú-ikú – Envergonhe-se de morrer
13- Duró-orí-iké – Espere e veja como você será mimado



Festas especiais são feitas para esse tipo de crianças, nas quais o feijão fradinho e o azeite de dendê são fartamente distribuídos a todos como prato principal. Os àbíkú e outras crianças são convidas. Assim como os "demônios" que as acompanham, para participarem dessas festas. Tal festa supostamente agradará aos "amiguinhos do outro lado" e os convencerá da permanência dos àbíkús na vida normal, garantindo ainda os "amiguinhos" sempre um festim para seus deleites.

Os àbíkús têm sido confundidos no Brasil com Abiasé, que são as crianças nascidas "feitas de berço" e com missão espiritual. Os Abiasés podem ou não refugar a missão espiritual na terra, retornando ao convívio de Òlorún, dependendo unicamente do teor de compreensão que obtiverem de seus pais, mestres, tutores, cônjuges e etc.

Hipótese nº1 de ABIASÉ – É oriundo de uma transmigração espiritual (morre em algum lugar, país, etc.) e nasce na mesma hora ou horas depois em outro lugar e outro corpo. Carecendo apenas de um ritual de confirmação ou coroação do Ibá Orí (três adosos e tudo mais), conforme o cargo espiritual designado por Ifá. É oferecido á Olodumaré e Òlorún pelos seus pais ou tutores e jamais conseguirá fugir de seu òdú (predestinação), sob pena de refugar á missão terrestre (morrer), missão esta que geralmente é política, missionária social ou espiritual.

Hipótese nº 2 de ABIASÉ – É "feito" na barriga da mãe, quando está é recolhida para a "feitura" e está grávida. Aí a criança recebe todos os fundamentos que a mãe receber, independente da qualidade de Òrìsá, nascendo "feita" deste mesmo Òrìsá e carecendo apenas da confirmação ou coroação, as quais seguem as mesmas ritualísticas do primeiro caso de abiasé. Os àbíkús são classificados em quatro modalidades: Àbíkú Inã ou Izô – do fogo – Esse àbíkú é o que "come" a cabeça mãe (mata-a) no nascimento, ou "come" a cabeça do pai por acidente posteriormente. É um dos mais difíceis àbíkú de trato, e traz consigo a má sorte pra quem com ele mantiver relacionamento permanente. O àbíkú de fogo geralmente aliena o segmento social no qual estiver envolvido e não raro desenvolve uma psicopatia irreversível após os 21 anos. Uma pesquisa feita no Brasil constatou que a maioria desses àbíkú ou foram doados ao nascer, ou foram adotados por de seus pais legítimos.

Àbíkú Omí ou Azín – da água – Esse é o tipo que nasce de 6,7 ou 8 meses. Geralmente explode a bolsa-d água da mãe nesse período e vai para incubadora. Morre precocemente ou cresce e sai desse período critico. Se seus avôs forem vivos, estará ligado a eles mais do que aos pais.

Seu principio de abi (vida) decorre entre 1 á 3,5 anos e o seu processo de Ikú (morte) inicia-se entre 3 á 5. O retorno dos "amiguinhos" é feito pro afogamento, tuberculose, desidratação ou cólera. A forma de evitar esse retorno é usar um nome contrário ao nome que trouxe de útero e promover trabalhos de ordem espiritual propiciando ofertas aos òdús (presságios).

Àbíkú Alé – da terra – Esse tipo segundo a ancestral cultura Yorubana, os mais trabalhosos para os sacerdotes e parentes, uma vez que está intimamente ligada aos "amiguinhos das florestas" que com freqüência o chamam de volta. Muitas vezes nasce pro cesariana, ou de parto normal sanguinolento.

É uma criança agitada, com tendências á neuroses familiares. Tem condição congregaste e como o àbíkú do fogo, costuma "comer cabeças" não só de parentes, como de outras pessoas. Contrata-se esse àbíkú, usando o nome contrário ao seu objetivo e promovendo-se festas anuais nas quais existam o feijão-fradinho e dendê em abundância para todos.

A forma de retorno também é por acidente em quedas de alturas ou por doenças de pele e órgão digestivo. O tempo de vida (se não tratado) oscila entre 4 e 8 anos. Àbíkú Fefé – do vento – Esse tipo difere um pouco dos outros demais, por ser de especial origem no meio do convívio das pessoas. Ele destaca-se em todo o ambiente desde seu nascimento que em geral, foi inspirado ou não planejado.

Tem características próprias e pode ser facilmente induzido á manter-se na vida em face de sua instabilidade emocional inicial. Deve como os demais, ter um nome contrário ao fato constante instado ás delícias da vida. Por ter mais do que "amiguinhos" do outro lado, poderá ser salvo por Èsú e Oyá na hora H.

http://siqueiraode.wordpress.com/2008/05/16/abiku-nascermorrer/

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